O microagulhamento no tratamento das manchas cutâneas é uma das técnicas mais utilizadas na estética profissional, e também uma das mais frequentemente mal indicadas. Embora seja um recurso eficaz quando corretamente aplicado, o seu uso inadequado pode transformar um tratamento promissor num fator de agravamento da hiperpigmentação, especialmente em peles sensíveis e no melasma.
O erro mais comum é associar maior profundidade a melhores resultados, ignorando que, nas manchas, o principal risco não é a falta de estímulo, mas o excesso de inflamação.
Na abordagem da Dr. Spiller, o microagulhamento é visto como uma ferramenta auxiliar, que deve ser integrada num protocolo global, com profundidade adequada, controle inflamatório e cosmética associada, nunca como solução isolada.

Como o Microagulhamento Atua no Tratamento das Manchas
O microagulhamento consiste na criação de microperfurações controladas na pele, com três objetivos principais no tratamento das manchas:
- Estimular a renovação celular, favorecendo a eliminação gradual de células pigmentadas superficiais
- Ativar a regeneração dérmica, através de um processo inflamatório controlado
- Aumentar a permeabilidade cutânea, facilitando a penetração de ativos clareadores, antioxidantes e reguladores
Quando estes mecanismos são bem controlados, o microagulhamento pode contribuir para a melhoria do tom, da textura e da qualidade global da pele.
Profundidade Correta para Manchas: Menos é Mais
Um dos pontos mais críticos no microagulhamento para manchas é a profundidade das agulhas.
Para hiperpigmentação, a indicação correta é:
- Microagulhamento superficial a médio
- Foco na epiderme e derme superficial
- Estímulo suficiente para renovação, sem provocar inflamação excessiva
Agulhas mais profundas não significam melhores resultados. Pelo contrário, aumentam significativamente o risco de:
- Inflamação intensa
- Ativação excessiva dos melanócitos
- Hiperpigmentação pós-inflamatória
- Efeito rebote, especialmente no melasma
Nas manchas, o objetivo não é “agredir para renovar”, mas estimular com controle.
Riscos do Excesso de Agressão no Microagulhamento
O microagulhamento baseia-se num processo inflamatório induzido. O problema surge quando essa inflamação deixa de ser controlada.
O excesso de agressão pode levar a:
- Agravamento das manchas
- Escurecimento progressivo da pele
- Sensibilização crónica
- Resultados instáveis e temporários
No melasma, este risco é ainda maior, pois trata-se de uma condição inflamatória e crónica, com elevada tendência à recidiva.
Por isso, o microagulhamento não deve ser realizado em peles inflamadas, sensibilizadas ou sem preparo prévio adequado.
Microagulhamento Não Trata Manchas Sozinho
Um erro comum na prática clínica é utilizar o microagulhamento como tratamento principal da hiperpigmentação. Na realidade, ele atua como coadjuvante, potencializando outras estratégias.
Para que seja eficaz e seguro, o microagulhamento deve estar sempre associado a:
- Cosmética reguladora da melanogénese
- Ativos antioxidantes
- Ingredientes calmantes e anti-inflamatórios
- Reforço da barreira cutânea
- Fotoproteção rigorosa
Sem esta base, o estímulo mecânico tende a gerar mais inflamação do que benefícios.
A Importância da Cosmética Associada ao Microagulhamento
A cosmética utilizada antes, durante e após o microagulhamento é determinante para o sucesso no resultado final.
Na filosofia Dr. Spiller, a cosmética associada tem como funções principais:
- Controlar a inflamação induzida
- Regular a resposta dos melanócitos
- Proteger contra o stress oxidativo
- Acelerar a recuperação cutânea
A escolha dos ativos deve privilegiar:
- Ingredientes biomiméticos
- Ativos calmantes
- Antioxidantes
- Reguladores da pigmentação
É esta associação que transforma o microagulhamento numa técnica segura e previsível, mesmo em peles com tendência pigmentária.

Microagulhamento no Melasma: Critério Redobrado
No melasma, o microagulhamento deve ser utilizado com muita cautela. O objetivo não é eliminar a mancha, mas:
- Melhorar a qualidade da pele
- Aumentar a permeabilidade a ativos reguladores
- Apoiar protocolos de controle e manutenção
Sessões agressivas, profundas ou frequentes tendem a piorar o quadro. No melasma, estabilidade é mais importante do que intensidade.
Resultados Progressivos e Dependentes do Home Care
Os resultados do microagulhamento em manchas são:
- Progressivos
- Dependentes do número de sessões
- Fortemente influenciados pelo cuidado diário
Sem home care adequado, especialmente fotoproteção diária e produtos reguladores, o tratamento pode estagnar ou até regredir.
Microagulhamento Exige Técnica, Critério e Estratégia
O microagulhamento pode ser um excelente aliado no tratamento das manchas, desde que utilizado com profundidade adequada, controle inflamatório e cosmética associada.
Mais do que estimular a pele, é essencial respeitar a sua fisiologia, especialmente em condições como o melasma. Quando integrado numa abordagem biomimética e reguladora, como a da Dr. Spiller, o microagulhamento torna-se uma ferramenta segura, eficaz e complementar, nunca agressiva.